NERSANT defende reforço dos apoios às empresas afetadas pela tempestade Kristin e pede criação de incentivos a fundo perdido

Mais de 200 pessoas na sessão "Medidas de Apoio às Empresas – Situação de Calamidade" realizada hoje em Ourém

NERSANT defende reforço dos apoios às empresas afetadas pela tempestade Kristin e pede criação de incentivos a fundo perdido
Competitividade & Apoios
Foto: NERSANT

A NERSANT - Associação Empresarial da Região de Santarém / Câmara de Comércio e Indústria e o IAPMEI - Agência para a Competitividade e Inovação, com o apoio do Município de Ourém e da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, reuniram esta manhã mais de 200 participantes no Teatro Municipal de Ourém, numa sessão dedicada às Medidas de Apoio às Empresas - Situação de Calamidade, na sequência dos impactos provocados pela tempestade Kristin.

Na abertura, o Presidente da Direção da NERSANT, Rui Serrano, sublinhou a vulnerabilidade do tecido empresarial da região. "A depressão Kristin foi um golpe profundo num território onde 85% das empresas são micro e pequenas, muitas delas familiares e essenciais à nossa coesão social e económica", afirmou, alertando que os prejuízos vão muito além dos danos materiais.

O responsável associativo sublinhou que por trás dos números estão histórias e projetos de vida ameaçados. "Não vejo números: vejo décadas de trabalho em risco em poucos dias. Armazéns inundados, stocks perdidos, fábricas paradas por falta de energia ou acessos cortados; encomendas canceladas e prejuízos em cadeia que vão além dos danos materiais."

Rui Serrano dirigiu ainda uma palavra especial às empresas mais afetadas. "As minhas primeiras palavras vão para as empresas de Ourém e de Ferreira do Zêzere, que estiveram na linha da frente dos impactos da depressão Kristin e que, ainda assim, estão hoje aqui a dar um sinal claro de confiança e de resiliência coletiva."

Reafirmando que "ninguém enfrenta isto sozinho", Rui Serrano garantiu que a NERSANT, em articulação com parceiros institucionais, continuará a assumir um papel ativo na resposta. "Estamos no terreno, ao lado das empresas, a prestar apoio técnico no acesso às medidas existentes, a ajudar a interpretar critérios e a enquadrar prejuízos. A NERSANT está totalmente disponível, pro bono, para preparar as candidaturas das nossas empresas aos instrumentos anunciados."

Contudo, deixou um alerta claro quanto à natureza das medidas atualmente disponíveis. "Linhas de crédito de baixa intensidade, por si só, não chegam. Para muitas empresas com prejuízos profundos, contrair mais dívida, mesmo em condições favoráveis, é simplesmente inviável."

Nesse sentido, defendeu a criação de instrumentos diferenciadores, nomeadamente apoios a fundo perdido para recuperação das capacidades produtivas, bem como a modulação das medidas às especificidades dos setores e territórios mais afetados. Apontou ainda a necessidade de reprogramação de investimentos em curso e aceleração de pagamentos de incentivos e reembolsos, num contexto em que muitos prazos se tornaram impossíveis de cumprir. "Sem medidas desta natureza, calibradas à realidade do Médio Tejo, arriscamo-nos a ver empresas tecnicamente viáveis sucumbirem apenas porque não tiveram tempo nem pulmão financeiro para se reerguer."

A sessão contou também com a presença do Secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, que reforçou o compromisso do Governo com a recuperação do tecido empresarial. "O Estado está ao lado das empresas e está a trabalhar na melhor resposta às suas necessidades. É importante que as empresas recorram aos mecanismos existentes, que foram desenhados precisamente para dar resposta a situações como esta", afirmou. O governante elogiou igualmente o modelo de proximidade adotado pela NERSANT no apoio às candidaturas. "O mecanismo criado pela NERSANT para apoiar as empresas na preparação e submissão de candidaturas é um exemplo de boa prática e de articulação eficaz entre entidades públicas e associativas."

A sessão contou ainda com a presença de diversas entidades, designadamente José Pulido Valente, Presidente do IAPMEI, Luís Albuquerque, Presidente da Câmara Municipal de Ourém, José Alho, Vice-Presidente da CCDRLVT, bem como Paulo Fernandes, da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, e Bruno Gomes, Vice-Presidente da CIM Médio Tejo e Presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere, reforçando a articulação institucional em torno da recuperação económica da região.

Durante a sessão, as entidades parceiras - IAPMEI, Banco Português de Fomento, Instituto da Segurança Social, IEFP e Autoridade Tributária e Aduaneira - apresentaram detalhadamente os instrumentos de apoio disponíveis, esclarecendo requisitos de acesso, prazos e procedimentos.

Com esta iniciativa, a NERSANT reafirma o seu compromisso de proximidade com as empresas, defendendo soluções ajustadas à realidade do território e promovendo o acesso efetivo aos mecanismos de recuperação económica disponíveis. Na próxima semana, mais concretamente no dia 24 de fevereiro, a NERSANT vai estar no Município de Ferreira do Zêzere para dar a conhecer os mecanismos de apoio às empresas deste concelho. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas em https://nersant.pt/agenda/?id=1491.

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