Para isso, a autarquia convidou Pedro Saraiva, tomarense que dirige, em Abrantes, a Tagus Valley, como moderador de uma mesa-redonda que acolheu empresários de vários setores: Vítor Poças, o novo administrador da Tema Home; Fábio Marques, da Horto Marques; e Inês Ferreira, dos Aviários de Santa Cita, propriedade do grupo Valouro), o presidente da direção do NERASANT, António Pedroso Leal; e Henrique Pinho, diretor da Escola Superior de Gestão do Instituto Politécnico de Tomar.
O presidente da Câmara, Hugo Cristóvão, começou por fazer uma breve análise do tecido empresarial do concelho, com base nos dados disponíveis, ainda referentes a 2023, e que evidenciam, em todos os parâmetros, uma evolução favorável.
O número de empresas com sede no concelho cresceu, relativamente ao ano anterior, 3,3%, mas o número de trabalhadores aumentou três vezes mais: 9,1%, com o volume de negócios a chegar aos 510 milhões de euros, o que representa uma subida de 12%.
Números muito favoráveis, que se repercutem noutros indicadores: as empresas sem sede no concelho também cresceram 19,4% e as exportadoras 10,3%, com o volume de negócios para o estrangeiro a subir 3,8%. De referir ainda que, nos últimos quatro anos, Tomar está entre os dez concelhos do seu segmento, em todo o país, com maior número de empresas criadas (444), a par com municípios como o Fundão ou Bragança, que são habitualmente vistos como referências.
Os empresários participantes na mesa-redonda abordaram o seu percurso enquanto gestores e investidores, frisando os pontos fortes e fracos encontrados no trajeto, sendo que os processos de licenciamento (Inês Ferreira referiu a necessidade de consulta a 20 entidades para abrir um aviário!) e outras burocracias foram unanimemente apontados como as maiores dificuldades com que se deparam.
Destaque para Vítor Poças, um dos mais recentes empresários a investir em Tomar, e que teve uma ação decisiva para evitar a falência da Tema Home, uma das maiores unidades industriais e exportadoras do concelho, o que garante só ter feito pelo apoio que sentiu sempre por parte do Município. Também dirigente da AIMMP - Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal, e forte conhecedor do setor, foi uma mais-valia para este debate, pela experiência nacional e internacional que lhe acrescentou.
Da parte dos representantes do NERSANT e do Politécnico ficou clara, igualmente, a necessidade cada vez maior de um trabalho de parceria entre os empresários, as entidades que os representam e as instituições académicas, de modo a que sejam dotados das melhores ferramentas na abordagem a um mercado global cada vez mais complexo, e muito especialmente para que possam contar com recursos humanos de qualidade e com a formação adequada às necessidades específicas de cada empresa.
Profícuos foram também os comentários e questões colocados por diversos participantes, que lotaram a sala, e que contribuíram para o objetivo primeiro desta iniciativa, como salientou Hugo Cristóvão, que foi juntar os empresários do concelho, colocando-os em diálogo, de modo a abrir perspetivas de trabalho futuro com vista ao alvo comum que é o desenvolvimento económico do concelho e das suas gentes.